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O Incidente de Roswell

Na noite de 2 de Julho de 1947, o casal Wilmot estava sentado à porta de casa, em Roswell, no estado do Novo México, quando viu um objecto luminoso de forma oval atravessar o céu de sudeste para noroeste. Durou quarenta a cinquenta segundos, por volta das 21:50.

Na manhã seguinte, um engenheiro chamado Barney Barnett trabalhava com um grupo de estudantes de arqueologia nas planícies de San Agustin, cerca de 400 quilómetros a oeste de Roswell. Em pleno deserto, foram atraídos por um brilho que sobressaía da areia. Pensando tratar-se dos destroços de um avião, aproximaram-se. O que encontraram foi um objecto com oito a dez metros de diâmetro, de forma lenticular e parcialmente destruído. Junto dele, e no seu interior, jaziam alguns corpos. Eram pequenos, de cabeça grande e olhos pequenos, com cerca de metro e meio de altura, vestidos com um fato integral de cor cinzenta.

Pouco depois chegou um jipe da força aérea. Os oficiais isolaram o local e intimidaram as testemunhas a não contar nada, porque “aquilo era o resultado de uma experiência secreta de interesse nacional”, um balão sonda. A seguir chegou um enorme camião que carregou a nave e os corpos e partiu com destino desconhecido.

O local do impacto em Roswell

Entretanto, o rancheiro William MacBrazel tinha descoberto uma zona do seu terreno, uns 500 metros quadrados, coberta de detritos estranhos. Contou aos vizinhos e mostrou-lhes um dos pedaços: algo parecido com alumínio, mas extremamente maleável e ao mesmo tempo muito duro, com marcas ténues que, vistas de certo ângulo, pareciam flores. Os vizinhos disseram-lhe que na noite anterior tinham visto pelo menos uma dúzia de objectos não identificados sobre a região, e que o melhor era levar o achado ao xerife George Wilcox. E assim fez.

Num breve comunicado à imprensa, o tenente Walter Haut, da base aérea próxima, anunciou que a Força Aérea dos Estados Unidos tinha recuperado um disco voador, agora guardado no Hangar 84, em White Sands.

MacBrazel foi com o xerife esclarecer o sucedido junto dos militares e ficou retido na base durante algumas horas a prestar declarações. Quando voltou ao rancho, os soldados tinham cercado o local, recolhendo detritos e não deixando ninguém aproximar-se. O material recuperado e a sua presumível tripulação foram levados para Wright-Patterson e guardados para estudo no Hangar 18, e mais tarde para a base de Muroc, na Califórnia, onde, diz-se, foram mostrados ao presidente Eisenhower a 20 de Fevereiro de 1954. A partir daí perde-se o rasto, embora se conte que os destroços e os seus ocupantes acabaram na Área 51, no Nevada.

A localização da Área 51, no Nevada

A explicação oficial acabou por chegar: onze balões sonda lançados no âmbito do projecto Mogul, equipados com caudas de alumínio para serem localizados por radar. Depois do sucedido foi ordenado um silêncio a todas as estações de rádio locais, sobretudo à KOAT, que estava a cobrir o caso. A KOAT terá recebido um fax que dizia, mais ou menos: “NÃO TRANSMITAM ESTAS MENSAGENS. SUSPENDAM AS NOTÍCIAS IMEDIATAMENTE.” Mais tarde, pressionado, o major Jesse Marcel mostrou aquilo que descrevia como os restos de um balão, deixando agora os jornalistas fotografá-lo de perto, ao contrário da véspera, em que os destroços eram de outro tipo e só vistos à distância.

Pelas próprias palavras dos envolvidos, todos os que estiveram ligados ao incidente foram discretamente pressionados pelos serviços de informação militares a manterem-se calados. Com o tempo a história foi esquecida, dando lugar a outra quase idêntica, na Rússia, na cidade de Petrozavodsk, a 20 de Setembro de 1977, desta vez testemunhada por centenas de pessoas e justificada com a reentrada do satélite Kosmos 955 na atmosfera.

O caso voltou à vida quando os investigadores e o público norte-americano insistiram, e o senador Steven Schiff, do Novo México, pediu ao Congresso o relatório mais completo possível, com base em documentos da CIA, do FBI e do Conselho Nacional de Segurança. Infelizmente, todos os registos da Base Aérea de Roswell referentes àquele período tinham sido destruídos. O documento de trinta páginas que daí resultou dizia, no essencial, que os destroços eram de um “balão secreto”.

Em 1995 surgiu um filme que dizia mostrar a autópsia de um dos seres capturados. Perante a polémica, o Congresso elaborou um novo relatório, de 230 páginas, que afirmava que os “alienígenas” descritos pelas testemunhas no deserto de San Agustin eram, na verdade, bonecos de ensaio, “bonecos antropomórficos utilizados em testes da força aérea”.

O "boneco" que a força aérea dizia que as testemunhas tinham visto

Há um problema com isto. Esses bonecos só foram fabricados entre 1954 e 1959. O incidente de Roswell aconteceu em 1947.

Para responder às contradições, o coronel John Haynes deu uma conferência de imprensa a partir do Pentágono, a 24 de Junho de 1997, para apresentar o relatório final sobre Roswell, outra vez. Pressionado com perguntas, limitou-se quase a ler o seu conteúdo. Quando um jornalista da CNN sugeriu que estava a ser usado por ser um conhecido céptico dos ovnis, respondeu: “Caso encerrado. Têm aí os elementos, as datas e os relatórios.”

A 4 de Julho de 1997 realizou-se uma conferência separada na própria Roswell, com Derrel Sims, antigo hipno-anestesista e bioquímico da CIA; o Dr. Vernon-Clark, investigador da Universidade de San Diego; e o Dr. Roger Leir. Sims afirmou ter ficado na posse de fragmentos que se julga fazerem parte do que foi encontrado no local, cedidos pelo Dr. Jesse Marcel Jr., filho do mesmo major Marcel que em 1947 dissera aos jornalistas que a nave não passava de um balão meteorológico. O oficial terá guardado alguns fragmentos para mostrar à família.

O Dr. Vernon-Clark fez duas análises ao material metálico. A primeira, espectrometria de massa, mede as proporções dos isótopos para identificar os elementos de uma amostra. O resíduo de Roswell foi dissolvido numa mistura de ácidos fluorídrico e nítrico, vaporizado, e injectado em plasma de árgon que separou os iões, acelerados depois para um espectrómetro e contados. Os resultados mostraram uma variação na composição dos isótopos maior do que seria normal em algo formado na Terra.

A segunda análise, espectroscopia de emissão óptica, excita uma amostra vaporizada em plasma de árgon para que cada elemento emita luz no seu próprio comprimento de onda. A partir daí, Vernon-Clark concluiu que o material não se podia ter formado naturalmente. Tinha sido fabricado, e mais do que isso, de momento, não podia adiantar.

Por isso, ainda que Roswell esteja “encerrado” para o Pentágono, há muito que continua por investigar. E fica uma pergunta no ar: porque haveriam os serviços de informação militares de trabalhar tanto para enterrar a verdade? Apenas para não deixar instalar-se o caos, ou por algo mais?

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