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Os Observadores

A evolução do homem começou de forma lenta, e depois, a dado ponto, acelerou de repente. Levou cerca de quatro milhões de anos até as células aprenderem a reproduzir-se por via sexual. Mas levou apenas mais seiscentos milhões para produzir a variedade e o volume de vida que conhecemos hoje. O que provocou essa aceleração? O homem precisou de 98 por cento dos seus três milhões de anos para desenvolver a agricultura. Mas precisou apenas de dezasseis mil anos para erguer a civilização. O que provocou essa aceleração?

A longa estrada da evolução humana

Se comprimíssemos os dois ou três milhões de anos da existência do homem num calendário normal de doze meses, de Janeiro a Dezembro, a agricultura só começaria a 28 de Dezembro. Toda a era histórica do homem, uns seis a dez mil anos, caberia nos últimos dois dias do ano. Vejamos o que aconteceu até 31 de Dezembro. Nas primeiras horas da manhã, a Babilónia, a China e Roma ergueram-se e caíram. Sócrates, Platão e Aristóteles viveram por volta das 9:30. A história do homem atravessou a tarde até ao anoitecer. Às 20:57, Colombo chegou à América. Às 21:16, Copérnico provou que a Terra orbita o sol. Às 22:27, Watt aperfeiçoou a máquina a vapor. Às 23:09, Darwin formulou a teoria da evolução. Às 23:21, Fermi dividiu o átomo. Às 23:41, foi construído o primeiro computador. Entre as 23:43 e as 23:48, o homem desenvolveu o avião, o foguete de combustível líquido, o satélite artificial e a nave espacial tripulada. Às 23:49, o homem pousou na Lua. Agora são mais ou menos 23:50. A curva da ciência e da tecnologia disparou. O que se segue na agenda do homem?

A evolução do homem está cheia de saltos enormes, anomalias tão evidentes que nos levam a perguntar se algo não terá interferido na saga dos nossos antepassados. Pierre Teilhard de Chardin levantou questões sobre a evolução do homem que foram além do seu tempo. Expô-las em dois livros extraordinários: “O Fenómeno do Homem” e “O Aparecimento do Homem”. O mistério essencial que intrigou De Chardin foi o de não haver aparente ligação evolucionária entre o homem de Neandertal e o de Cro-Magnon. O de Neandertal estava tão abaixo do plenamente humano Cro-Magnon que De Chardin não conseguia compreender como o primeiro poderia ter evoluído, por qualquer caminho lógico, para o segundo. A brecha era larga demais e o salto rápido demais no registo fóssil. Em termos relativos, o homem de Cro-Magnon parecia ter surgido na Terra de repente. Tendo em conta as operações genéticas que se supõe estarem a ser feitas por alienígenas na população humana, é apenas lógico perguntar se isto não terá que ver com o mistério colocado por De Chardin. Foi o homem de Cro-Magnon colocado na Terra intacto, ou foi o resultado de uma transformação genética do homem de Neandertal, feita por alienígenas? A esta altura, é quase óbvio que a humanidade vem a sofrer a interferência de uma terceira força já há algum tempo.

O salto do Neandertal para o Cro-Magnon

Abundam, em muitas partes do mundo, lendas que falam de contactos com seres celestiais que ajudaram a desenvolver a civilização do homem. Tais lendas foram a base para as complexas crenças religiosas em deuses vindos do céu. Algum trabalho sério foi feito nesta área, entre ele “O Mistério de Sírius” e “Vida Inteligente no Universo”, de co-autoria de Carl Sagan e do saudoso e notável cientista soviético I.S. Shklovskii. Sagan e Shklovskii discutem várias dessas lendas, mas impressiona-os em particular uma, oriunda da antiga civilização da Suméria. Tomada pelo seu valor literal, a lenda sugere que houve contacto entre seres humanos e uma civilização não humana de imensos poderes, nas terras do Golfo Pérsico, talvez perto da antiga cidade de Eridu, no quarto milénio a.C. ou antes disso. Sobre tais lendas, Shklovskii escreve que, apesar do grande risco de as confundir com lendas nascidas de outras maneiras, tais hipóteses são inteiramente razoáveis e dignas de análise cuidadosa. O etnólogo russo Agrest conjecturou audaciosamente que talvez vários factos da Bíblia fossem, na verdade, baseados em visitas de astronautas extraterrestres à Terra.

É interessante notar que Sagan considera a Suméria talvez a primeira civilização do planeta, quase ocupando o lugar da antiga cidade de Eridu. Por que é isto interessante? Porque Eridu é chamada o Paraíso Babilónico, o lugar de origem do homem. Os babilónios foram os sucessores dos sumérios. Há lendas babilónicas que contam uma história sobre Adapa, tão extraordinariamente paralela à história bíblica de Adão que ele é chamado o Adão babilónico. As inscrições referem-se a ele como “Adapa, semente da humanidade” e “Adapa, o homem sábio de Eridu”. O relato da criação babilónico, ainda que politeísta, tem tantos pontos em comum com o relato hebraico do livro do Génesis que ambos terão de ter tido a mesma origem. Serão estes seres avançados agentes da criação de Deus neste e noutros planetas? Talvez devêssemos compreender o relato do Génesis mais literalmente quando afirma: “Façamos o homem à nossa própria imagem.”

Se tais operações alienígenas envolvendo a genética aconteceram, de facto, no passado do homem, teriam sido interpretadas dentro dos conceitos e limites de culturas não tecnológicas. Seria de esperar que tais acontecimentos tivessem sido grosseiramente distorcidos ao longo dos séculos. Mas seriam tão extraordinários que algum símbolo claro deveria permanecer, para cortar o ruído da ignorância e da superstição. É com essa reserva que posso dizer, com a maior segurança, que a história do homem está repleta de relatos de raptos, encontros sexuais e estranhas operações que envolvem entidades não humanas. Tais histórias estão registadas nas religiões, nos mitos e nas lendas de muitas culturas.

Os vigias das histórias antigas

Muitos fizeram um bom trabalho nesta área. Aponto em particular o livro de Jacques Vallée, “Passaporte para Magonia”, para uma intrigante colecção destes relatos. Envolvem seres humanos raptados por entidades não humanas, invariavelmente chamadas fadas, gnomos, duendes e demónios, entre outros rótulos humanos para o desconhecido. É significativo que, como nas modernas abduções por OVNI, o raptado foi forçado a esquecer o que ocorreu durante a abdução. Vallée afirma que a mente de uma pessoa saída do Mundo das Fadas é, em geral, limpa quanto ao que ali foi visto e feito.

O livro de Edwin S. Hartland, “A Ciência dos Contos de Fadas: Uma Investigação na Mitologia das Fadas”, é outra excelente compilação de folclore que, lida à luz da ufologia, ganha novo significado. Hartland fala de um livro sueco, publicado em 1775, que contém uma declaração legal, solenemente jurada a 12 de Abril de 1671 pelo marido de uma parteira. Ele jurou que a mulher fora levada ao Mundo das Fadas por uma entidade parecida com um anão, a fim de assistir a um parto. O autor da declaração foi um sacerdote chamado Peter Rahn. Alegou que ele e a mulher estavam na sua quinta, já bem tarde de uma noite, quando veio um pequeno homem, de rosto escuro e vestido de cinzento, que implorou à mulher do declarante que fosse ajudar a sua própria mulher, então em trabalho de parto. Vendo que estava perante um troll, Rahn rezou pela mulher, abençoou-a e ofereceu-a em nome de Deus para ir com o estranho. Ela pareceu ser levada pelo vento, e a parteira regressou a casa do mesmo modo. Nos tempos de hoje, este incidente poderia ser relatado como uma abdução por uma entidade alienígena que entrou numa quinta, flutuou com a mulher e a devolveu da mesma forma. Também impressiona a descrição do lugar para onde a parteira foi levada: entrou numa passagem subterrânea através de uma brilhante porta de metal, para a casa do pequenino povo, cheia de luz de origem não detectada.

O investigador americano John Keel escreve que histórias semelhantes abundam nos registos índios das Montanhas Rochosas do Norte, segundo os estudos do Dr. E. E. Clark, que fala de várias histórias sobre entidades altas e de um metro de altura que raptaram crianças índias. Keel fala também das descobertas do antropólogo Brian Stross, que encontrou histórias intrigantes sobre homens pequeninos enquanto estudava os índios Tzeltal, em Chiapas, no México. As entidades parecidas com anões eram chamadas ihk’al. Os Tzeltal afirmavam que esses seres pequenos carregavam dispositivos às costas que os permitiam voar, e que por vezes raptavam mulheres e as forçavam a dar à luz.

Vallée chama a atenção para histórias de raptos antigas, vindas do folclore chinês e europeu, que se equiparam aos relatos de OVNI actuais na relatividade do tempo. Chamo ao tema comum o cenário de Rip Van Winkle: uma pessoa desaparece misteriosamente por semanas, meses ou anos, mas, ao regressar, acredita não ter perdido tempo algum. Vallée cita Hartland a respeito de Gitto Bach, filho de um agricultor que desapareceu de forma misteriosa. Durante dois anos nada se soube dele, mas, afinal, uma manhã, quando a sua mãe, que muito tempo chorara amargamente a sua morte, abriu a porta, viu Gitto com um embrulho debaixo do braço. Estava vestido e tinha a mesma aparência de quando o vira pela última vez, pois não crescera nada. “Onde estiveste todo este tempo?”, perguntou a mãe. “Ora, eu só estive fora um dia”, respondeu ele. Gitto abriu então o embrulho e mostrou à mãe um fato feito de algo parecido com papel branco, feito de tal forma que não havia costuras visíveis. Disse que o fato lhe fora dado pelo pequenino povo com quem estivera.

Histórias sobre relações sexuais entre seres extraterrestres e humanos persistem por toda a época bíblica. No início do Génesis lemos estas palavras provocantes: “E sucedeu que, quando os homens começaram a multiplicar-se na Terra, e lhes nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, e tomaram por esposas todas as que escolheram.” Por toda a Bíblia, o termo filhos de Deus refere-se a seres celestiais chamados anjos, isto é, mensageiros. Tomadas à letra, tais histórias têm uma implicação mais vasta. Uma união sexual entre raças significaria que estas entidades extraterrestres eram geneticamente compatíveis com o homem. Isto é sustentado à medida que continuamos a ler sobre a prole resultante dessa improvável união: “Naqueles dias havia gigantes na Terra, e também depois, quando os filhos de Deus conheceram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos.” A palavra hebraica para gigantes, nefilim, significa literalmente os caídos do céu, porque esses seres celestiais altos caíam do céu. A sua prole híbrida e os seus descendentes são mencionados, com frequência, no primeiro livro do Velho Testamento, até que o último deles foi morto. Eram conhecidos como Refaim, Emim, Anaquim, Horim, Aveu e Zanzumim. Alguns eruditos especulam que esta tradição de gigantes nascidos da união de deuses e humanos formou a base dos semideuses da mitologia grega. A Bíblia descreve estes homens altos e híbridos como homens poderosos, heróis da antiguidade, homens de renome.

As crenças no contacto sexual entre extraterrestres e humanos eram populares na Idade Média. Nesse período encontramos uma forte crença na existência do íncubo macho ou do súcubo fêmea, que forçavam os seres humanos a ter relações sexuais com eles. Mais tarde, essas crenças continuaram, disfarçadas, no folclore das fadas. Wentz, um erudito no campo do folclore, conclui dos seus estudos que as fadas que seduzem os mortais nos tempos modernos são quase os mesmos, se não os mesmos, súcubos da Idade Média. Tempos modernos, para Wentz, era o século XIX. Cem anos mais tarde, encontramos o correspondente do século XX aos anjos, semideuses, íncubos, súcubos e fadas do passado do homem. Podemos bem perguntar, a esta altura, que propósito foi alcançado, ou está a ser alcançado, por tais abduções e encontros sexuais. Haverá uma ligação entre o propósito relatado no passado e o de hoje? Quanto ao motivo por trás dos raptos pelas fadas, Vallée cita de novo Hartland, que escreveu no século XIX que o motivo atribuído às fadas nos países do Norte é o de preservar e melhorar a sua raça, por um lado levando crianças humanas para serem criadas entre os duendes e unidas a eles, e por outro obtendo o leite e o sustento de mães humanas para a sua própria prole. A motivação para os raptos feitos pelas fadas, no passado, e para as abduções feitas por OVNI, no presente, é uma só: a genética.

Seria possível que formas de vida alienígena tivessem, de facto, vivido nesta relação clandestina com o homem? Estarão os chamados Observadores dependentes de nós para perpetuar a sua própria espécie? Se assim for, torna-se claro que a sua sobrevivência está intimamente ligada ao sucesso do seu programa de engenharia genética em curso. Quem quer que tenha criado e delegado estes zeladores celestiais certificou-se de que eram fiéis à sua tarefa. Não se pode deixar de perguntar quando terá começado, de facto, este parentesco simbiótico com o homem. Como pode o homem ser compatível, do ponto de vista genético, com um ser alienígena?

As criaturas que raptaram tantos podem ter sido apelidadas de muitas coisas pelo homem, incluindo nefilim, fadas, anjos, duendes, gnomos, trolls, ihk’al, íncubo, súcubo e alienígena. Mas o nome pelo qual atendem remonta à civilização inicial na Suméria, na Babilónia. Os caldeus, um povo antigo e dominante na Babilónia, acreditavam numa certa classe de seres angelicais. Esses seres eram responsáveis por observar a conduta do homem na Terra. O nome caldeu para essa classe de entidades celestiais é “ir”, que, traduzido, significa Observadores.

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